Home » Entrevistas
Diablo 3: Chris Metzen Fala Sobre o “Fim da Trilogia” e as Histórias que “Sempre Quis Ver Contadas”
Por Christian Blauvelt, tradução livre por Arraesador
Finalmente a espera de 12 anos chegou ao fim para os fãs de Diablo, na Terça 15/05/2012 com o lançamento de Diablo III. Na verdade, houve uma demanda tão imensa pela volta de Santuário, o mundo que está sempre sob ataque de todos os tipos de Crias do Inferno, que muitos fãs não foram capazes de conectar no site Battle.net, da Blizzard Entertainment, hoje um requisito necessário seja em seus jogos multijogador ou não. Fique com uma entrevista de Chris Metzen, lenda viva no desenvolvimento dos mundos dos jogos de Warcraft, StarCraft e todos os três jogos Diablo, concedida ao site Entertainment Weekly`s na semana anterior ao lançamento do game. Ele vê Diablo III como o “fim de uma trilogia” e uma oportunidade de finalmente contar novas histórias neste universo, que ele sempre quis contar. Então esse é o último game de Diablo? E porquê demorou 12 anos para ser feito? Leia e descubra:
Os fãs tiveram 12 anos para especular sobre o Diablo III. Qual foi a pergunta que mais lhe fizeram?
Chris Metzen: A resposta é simples “Caramba, quando é que o jogo sai?” Mas do ponto de vista do folclore do jogo, acho que o que mais perguntaram foi “Como é que o Diablo se encaixa neste game já que, aparentemente, acabamos com sua raça no final dos dois últimos games?”
Por que demoraram 12 anos para Diablo III ficar pronto?
Chris Metzen: Ele estava em desenvolvimento há alguns anos na Blizzard North, mas acabamos refazendo a equipe e reconstruindo um monte de tecnologias e ferramentas para o jogo. Praticamente começamos do zero. Vinhamos tentando nos recuperar de um mundo pós World of Warcraft e havia uma série de problemas cada vez maiores que talvez nos tomaram um tempo maior do que o esperado. Mas quando isso já tinha sido superado pela equipe de desenvolvimento, eles queriam fazer uma sequência digna de Diablo, mesmo que demorasse um pouco mais para conseguir os ajustes necessários. Eles se sentiram como uma mãe no oitavo mês de gestação por algum tempo, mas agora, ele já está pronto pra surgir.
Parte do atraso pode ser atribuído como você disse, a personagem Diablo por ter sido derrotado, de vez, no último game? Demorou para encontrar um conceito?
Chris Metzen: Ah, nem tanto. Nem tanto. Acho que tínhamos boas e fortes intenções para a história deste jogo, assim que ele saísse. Elementos da história que você vê em Diablo III são coisas que eu sempre quis ver em um jogo de Diablo, desde o primeiro. Por uma razão ou outra não era o momento certo, seguir nessa direção naquela época. Mas deixei para esse de agora, uma vez que de algum modo é o fim de uma trilogia, já que se passa 20 anos após o último produto, de acordo com a linha do tempo no jogo. É realmente o fim de um ciclo, em muitos sentidos, é o fim de um meta-enredo.
Quais foram algumas dessas idéias que você tinha que remontam ao Diablo original?
Chris Metzen: Eu sempre quis ver os anjos vindo à frente, pro outro lado do debate no universo Diablo. Nos últimos dois jogos lutamos contra Diablo e seus “parentesinhos”, os Senhores do Inferno, tem sido uma série definida tanto por seus vilões como por seus heróis e existem poucos NPCs que são muito relevantes, como Deckard Cain ou Tyrael. Mas nós nunca ouvimos o outro lado, o dos anjos, para ter uma noção do grandioso conflito que jogamos em toda a franquia. Eu sabia desde o começo que Diablo III seria um pouco mais ilustrativo da ampla tapeçaria desse universo e o papel da humanidade nele. Não se trata apenas de demônios enlouquecidos, embora no início fosse isso.
Você disse que é o fim da “trilogia” Diablo? Isso significa que não devemos esperar mais jogos ambientados neste universo criado por vocês?
Chris Metzen: Nem tanto. Eu vejo isso como o fim de um enredo específico. Não é em tudo o fim de Diablo, talvez o fim de um período especifico ou era, mas é o fim de uma série de maquinações que foram arquitetadas contra Santuário nos últimos dois séculos. Se Diablo realmente tinha um plano para atrapalhar as pessoas, para trazer desgraça e destruição, este jogo realmente demonstra o quão grandioso esse plano sempre foi, antes, não tínhamos todas as informações. Este jogo mostra o quão inteligente e esperto, ele tem sido ao longo desse período de tempo e por que ele é o vilão que da nome a série. Nos primeiros dois jogos não haviam muitos detalhes desse antagonista além de que ele era um cara grande e vermelho que chutava os traseiros das pessoas. Então, por que a série leva seu nome e não o de Baal ou Mephisto? Diablo é mais forte? Eu diria que ele é realmente muito inteligente, ele pensa em tudo, ao contrário de seus irmãos, não é apenas um dos grandes sete males. Ele é como o Doutor Destino. E Diablo III é o resultado de suas maquinações, mesmo que isso não seja o fim das potenciais histórias que poderia-se contar naquele universo.
Então 20 anos se passaram desde Diablo II. O que mudou em Santuário nesse período?
Chris Metzen: Eu diria que o mundo não mudou tanto assim. Fazem apenas 20 anos e as coisas andam um pouco devagar em Santuário, mas em Diablo e Diablo II, os conflitos realmente não desaparecem da consciência do povo. No primeiro jogo, os eventos foram localizados na pacata cidade de Tristram. Se você vivesse em Caldeum por exemplo, a maior cidade do Oriente, você poderia pegar um papelete (jornal) e ler “Coisas Estranhas Acontecendo em Tristram”, mas você não acreditaria que demônios vivessem e caminhassem pelo mundo. Então, esses conflitos sempre foram reservados, um mundo dentro de um mundo e a grande maioria da humanidade não tinha conhecimento do que estava acontecendo ao seu redor.
Em Diablo II, as coisas se ampliaram um pouco mais. Os Atos 2 e 3, fizeram os conflitos surgirem na consciência do povo um pouco mais, as pessoas começaram a perceber que as coisas que vagam na noite estavam em suas terras. Certamente, em Lord of Destruction, o conjunto de expansão de DII, o conflito foi em escala bem maior, mas de uma forma muito isolada, em uma área remota. A força da franquia reside no fato do conflito entre o Céu e o Inferno, ser em grande parte reservado. E nos últimos 20 anos a civilização tem se acalmado com base na descrença. Esses acontecimentos de 20 anos atrás são bobagens, histórias de gente simples, dizem. Eles realmente não acreditam que o mal se materializa lá fora. Esse é o mundo em que esta história começa a borbulhar novamente. Poucos estarão preparados.
Mas alguns poucos estão conscientes do que está para acontecer?
Chris Metzen: Alguns como Deckard Cain, que acredita que o Fim dos Tempos é iminente, de que as coisas que já vimos antes eram apenas “hors d’oeuvres” (aperitivos) em um jantar, nem mesmo remotamente indicavam a dimensão do que estava por vir. Deckard sabia que antes do fim, era apenas uma questão de tempo antes que as forças do mal fizessem o que realmente queriam fazer todo esse tempo. Esse mundo estava absolutamente despreparado para lidar com a situação.
Qual é a sua classe nova de personagem favorita em Diablo III?
Chris Metzen: Meu favorito é o Monge. Eu sempre adorei o Bárbaro, mas ele é da velha guarda, dos novos, definitivamente o Monge. Eu adorei o modo como esse personagem se movimenta, a maneira como ele foi concebido, a história por trás dele. Eu simplesmente acho que ele é fodão, porque é basicamente parte de um grupo de heróis (seus iguais) em um mundo que é cada vez mais obscuro. Mas não é como eles, escoteiros, eles estão lutando por um mundo melhor e às vezes é preciso quebrar alguns ovos para conquistar algo.
Todo mundo sabe que você é um enorme geek dos quadrinhos. Você mencionou o Doutor Destino, no entanto, em relação a Diablo. Ele é seu vilão favorito da cultura pop?
Chris Metzen: Eu adoro o Dr. Destino, porque ele representa uma mistura de tecnologia e feitiçaria. Ele é em última análise, uma figura trágica, porque ele se envolveu com todo esse mal ao tentar salvar a alma de sua mãe. Há algo de muito nobre e régio nisso, mas quando os chips tomaram conta, ele ficou monstruoso na aplicação de seus planos. Eu também adoro o fato dele ter sido o melhor amigo de seu arqui-inimigo, Reed Richards, na faculdade. E o nome dele é Destino! Qualé!
Fonte: EW.com





