Home » Crônicas
Há algo mais naquela garota: Cap. 16
Enquanto isso…
Havia dias que Nômade estava alheio ao mundo real. Certa noite, deitado em um canto do calabouço, passou o antebraço direito por trás da nuca para evitar pousar sua cabeça no chão úmido, já a mão esquerda repousava entre o umbigo e a cintura.
Um aroma diferente do que já havia sentido invadiu seu cativeiro, tomando conta de todo local. O cheiro trazia sensação de paz, o ritmo dos batimentos de seu coração começaram a diminuir e, de repente, um vulto escuro apareceu vindo da porta em sua direção lentamente, parecia flutuar. Aos poucos, aproveitando o mínimo de luz que havia no recinto, forçou o foco de seus olhos e, pode ver a figura revelar aos poucos uma silhueta com um contorno único, mostrando ser um corpo belíssimo de uma mulher.
Aquela que agora podia distinguir ser uma mulher estava bem próxima; Nômade estava paralisado com a situação, não conseguia emitir uma palavra sequer. A mulher, muito próxima, ajoelhou lentamente ao seu lado, pegando levando sua mão direita sobre a mão esquerda de Nômade, que repousava em sua cintura.
Nômade engoliu em seco, sentira algo que nunca havia presenciado antes; era único e maravilhoso, seu corpo estava arrepiado, trazendo enorme sensação de êxtase. O contato da pele da mulher com sua pele desbalanceou seus sentidos.
Em seguida, em um movimento tão limpo e suave quanto a dança de uma bailarina, a moça levou a mão esquerda à fronte esquerda da judiada face de Nômade. Neste momento o coração do rogue disparou e a respiração ficou ofegante; mesmo em suas aventuras mundanas, nunca sentira o que vivia naquele momento.
Nômade sentiu a pele macia e cheirosa da mão que acariciava seu rosto, a qual percorreu todo seu desenho facial até pousar as pontas dos dedos em seus lábios trêmulos.
- Olá…. Nômade, meu querido! – Sussurrou a visitante em tom angelical, a voz era hipnotizante, com o corpo cada vez mais próximo ao de Nômade.
Ainda envolvido em uma demência momentânia, Nômade percebeu que se tratava de uma garota, uma moça muito jovem.
- Seria ela?! – Pensou Nômade
Conforme a jovem aproximava seu corpo ao de Nômade, seus cabelos longos e ruivos banharam o peito do rogue como uma cachoeira de véu escarlate.
Nômade estava trêmulo, suas pernas estavam moles, um frio invadira sua barriga, soava cada vez mais a cada milímetro que a jovem aproximava seu corpo ao dele. Ele não piscava, tudo parecia um transe.
A jovem de cabelos ruivos agora estava com o rosto muito próximo ao rosto de Nômade, onde mais uma vez sussurrou:
- Sou eu…. vim por você… meu querido.
Os lábios de ambos estavam separados por uma distância menor que um fio de cabelo. Nômade fechou os olhos e pela primeira vez conseguiria emitir alguma palavra:
- Aliiiii…..
Mas antes que conseguisse terminar a palavra, de repente acordou assustado ao ouvir seu nome ser pronunciado, o som parecia vir do pequeno orifício da porta de seu cativeiro.






