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Há algo mais naquela garota: Cap. 20
No dia seguinte, as coisas em Ravenholdt pareciam ter voltado ao normal, Neriá realmente conseguira fazer como que todos pensassem ter sido ataques por membros de Sylvanas. O tempo estava fechando, em poucas horas a chuva seria eminente.
Mais tarde, em meio a forte chuva, a caravana de Fahrad apontou na caverna que ligava o lado exterior da montanha à fortaleza dos Ravenroldts. A maioria dos viajantes andavam curvados, revelando tamanho esgotamento, embora Fahrad caminhasse à frente do grupo, ereto e imponente, com Alôra ao seu lado mantendo a mesma postura. Rapidamente Neriá, acompanhada por dois vigias, saiu para recepcioná-los.
- Aguardávamos seu retorno, mestre. – falou Neriá delicadamente, levemente curvada com a mão direita sobre o ombro esquerdo em ato de saudação, inclinando em seguida um pouco o corpo para esquerda para conferir os que o seguiam, notando que estavam exaustos.
Ordenou a um dos rogues que a acompanhava para providênciar alimentos e bebidas para os recem-chegados.
- Como foram as coisas por aqui Neriá? E nosso hóspede, ainda está vivo? hahaha. – disse Fahrad em tom de ironia, como se sua preocupação maior fosse com Nômade.
- Ele está da mesma forma, mofando no calabouço, porém…
Antes que Neriá continuasse, Fahrad, atento como uma raposa, notou uma leve mudança de expressão na garota e perguntou-lhe, alterando o tom de voz:
- Porém o quê?
Todos estavam parados observando a conversa dos dois, esquecendo completamente a forte chuva que caía.
- Tivemos contratempos, mestre. Fomos atacados por criaturas provenientes de obras de quem mexe com magia negra… – Neriá franziu a testa para mostrar desaprovação ao ataque e prosseguiu – Um Infernal e uma Sucubus, mas resolvemos rapidamente.
Neriá falava sem interrupções para não dar tempo a Fahrad para questioná-la, pois teria que ser bem convincente.
- No mesmo instante que contivemos o ataque fútil, vasculhamos toda montanha e aos arredores, mas não haviam vestígios. Penso poder ser obra dos Forsaken de Hillsbrad; saqueamos algumas caravanas de lá recentemente. – terminou Neriá mantendo expressão séria.
Fahrad, ficou em silêncio por alguns segundos, com uma mão na cintura e outra no queixo, conluindo:
- Hummmm, muito estranho… O ataque pelo visto foi pequeno, se fosse realmente um ataque por meio de Sylvanas vocês estariam mortos, mas não posso descartar esta hipótese… hummm… É pode ser… Mas quero que repassem minhas ordens: ninguém deve atacar caravanas nesta região. Melhor não arriscar chamar a atenção dos Exilados, melhor não correr o risco.
Fahrad colocou as duas mãos na cintura, a água da chuva descia por sua face concentrando-se no queixo fazendo uma pequena bica de água incessante e, continuou a falar:
- Nossa missão teve êxito, mas foi complicada. Por pouco não teríamos conseguido. A Horda está cada vez mais agressiva e poderosa. – fez uma breve pausa – Quero que investiguem. Rogo para que tenha sido um ataque de algum tolo que não sabe quem realmente somos.
Ao terminar, Fahrad dispensou o grupo para que se alimentassem e bebessem merecidamente. Sem pensar em descanso, ordenou que Neriá e Alôra sentassem com ele na mesa de reuniões no salão principal da Fortaleza.
As tochas do salão estavam acesas, era fim de tarde e a forte chuva antecipava o anoitecer, via-se clarões dos relâmpagos através das janelas emitindo sombras nas paredes opostas seguidos por trovões. Em instantes estavam à mesa, com Fahrad na ponta, Neriá a sua direita e Alôra a sua esquerda. Com postura altiva o líder apoiou os cotovelos e cruzou as mãos sobre a mesa. Sem virar o pescoço dirigia olhares para as duas. Neriá era tão boa aprendiz quanto Alôra, escondendo quaisquer expressões que lhe pusesse a ser notado algo diferente.
- Perguntarei somente esta vez. Vocês são minhas pupilas, e assim exijo sua lealdade… Me respondam com franqueza, pois esta é a hora de expor qualquer indício, para que possamos tomar algumas precauções se necessário. Me digam: realmente ninguém sabe do paradeiro de Nômade?
Neriá esperta, deixou Alôra falar primeiro.
- Sim Fahrad, ninguém sabe, fomos perspicazes. – Alôra foi rapida e apática.
- O tolo há tempos andava sozinho, vagando por várias regiões, quando não, estava embriagado em tavernas. – concluiu Neriá com a mesma apatia de Alôra.
- Ótimo, assim descarto qualquer ligação do ataque com uma possível tentativa de resgate ao nosso hóspede. – disse Fahrad satisfeito – Vão garotas, juntem-se aos outros e bebam.
As duas levantaram juntas e, batendo a mão direita sobre o ombro esquerdo saudando seu líder, se retiraram. Fahrad ficou sentado por alguns minutos. Levantou-se, esticou os braços sobre a cabeça juntando as mãos, alguns estalos de suas juntas ecoaram na sala, em seguida se dirigiu à escada que levava aos corredores dos calabouços.
Nômade continuava sentado no canto inferior de seu cativeiro, deslizando o objeto de mão em mão. Logo sentiu aproximação pelo corredor, misturada ao barulho da chuva e dos trovões, e rapidamente escondeu o objeto atrás de suas costas. Em poucos segundos o ruído da tramela de metal sendo girada ecoou no recinto. A porta se abriu, e a luz da tocha empunhada pelo visitante ofuscou sua visão, cegando-o por instantes.
- Ora, ora, logo será confundido com um morto-vivo, hahahaha!! Sylvanas pensará que é um dos seus…hahahaha – Debochou Fahrad.
Sua aparência mudara; agora barbudo, surrado e com mal cheiro, a pele estava levemente amarelada pela falta de sol e ausência de alimentação verdadeiramente nutritiva. Nômade colocou a cabeça entre os joelhos evitando a luz emitida pelo fogo da tocha e ficou calado.
- Não esqueça de se alimentar, meu amigo. Aproveite nossa hospitalidade! Quero que você fique conosco POR MUITOS ANOS! ah…ah…ha… HA! HA! HA! – terminou Fahrad com desprezo, deixando claro que não tinha piedade, demonstrando muito prazer no que via. Logo se retirou, ecoando gargalhadas pelo corredor até o silêncio tomar conta do local novamente, a não ser pela sinfonia da água da chuva e dos trovões que faziam aumentar a umidade e o cheiro de mofo no local.
Pouco depois Nômade tomou o objeto esférico em suas mãos novamente, respirou fundo e aliviadamente, pois temia revelar o que havia ocorrido no dia anterior a Fahrad. Sabia que Neriá preservaria o fato, mesmo porque nem ela sabia de tal artefato. O estranho objeto era, agora, de valor inestimável para Nômade; ouro ou jóia nenhuma valeria tanto quanto ele. Em alguns momentos imaginava sentir o cheiro de Alice, pressionava o objeto contra o peito e fechava os olhos, tentando sentir a presença da garota ao seu lado, sequer questionava seus próprios sentimentos, antes confusos. Naquele momento bastava-lhe pensar na belíssima garota ruiva, apenas imaginava tê-la ali, ao seu lado.
Nota: Se você acompanha os capítulos, gosta, acha emocionante, deixe um comentário, isso deixa o autor feliz e com mais vontade de escrever ^^






