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Há algo mais naquela garota: Cap. 27

Nômade e Alice seguiram para o domador de grifos de Aerie Peak, para alugar um dos poderosos animais para viajar. Alice sugeriu que fossem para Darkshire, em Duskwood, para que pudessem conversar mais tranquilamente, sem a presença de conhecidos. Por ser um lugar dominado por uma aura pesada, não era comum encontrar elfos noturnos por ali, o que eliminaria uma parte importante da guilda a que pertenciam. Alice permanecera calada desde que sugerira ir para a cidade, e Nômade respeitou o desejo dela, inicialmente. Estar ao lado dela, ainda mais por sugestão dela, era mais do que poderia esperar em tão pequeno espaço de tempo.

A viagem, ainda que rápida e confortável, foi longa. Nômade com sua experiência, por um bom tempo não conseguiu fazer com que Alice conversasse, mas por fim a garota acabou cedendo. O rogue aproveitou a deixa e, durante parte do caminho aproveitou para conversar com a garota sobre vários assuntos, desde engraçados até alguns com certa seriedade, mas sem tocar no motivo que os levara a esta breve viagem, para que a jovem pudesse se distrair um pouco e ter uma perspectiva melhor sobre o ladino. Chegaram ao cair da noite na floresta escura que nomeava Duskwood, e seguiram para a taverna local para alugar um quarto. Alice gostaria de um quarto separado, mas para sua infelicidade, não havia outro. Alice pagou pelo quarto, e ambos seguiram para lá, sob os olhares maliciosos de um morador que estava ali.

- Antes de mais nada, Nômade, não quero que tenha ideias. – iniciou a conversa a jovem ruiva. – Não foi minha intenção dividir o quarto com você, mas não vejo muita saída. Não pretendo viajar para outro lugar agora.

- Mocinha, você está certa em fazer um comentário como este a mim! – Disse Nômade em tom de brincadeira enquanto observava a expressão de sua ouvinte. – Mas não se preocupe, não -sou como todos homens, já tenho muito tempo na estrada da vida, e a última coisa que quero neste momento, é sua desaprovação perante à minha pessoa, perante quem realmente sou, por trás deste homem que a acompanha, existe uma pessoa que pode lhe surpreender. – sorriu por final.

Alice suspirou, juntando toda sua pouca paciência para esperar que o seu falante companheiro terminasse de falar. Em diversos momentos pensava se havia sido uma boa ideia ir a um lugar longe para conversar mas, apesar de tudo, havia percebido que Nômade era uma pessoa respeitadora. Decidiu apostar nessa impressão, que combinava com a impressão que tivera antes, e que a motivara a falar com ele.

- Certo. – respondeu a humana. – Admito que sim, fui surpreendida, especialmente por sua sinceridade. Nâo entendo porque és assim, nem pretendo insistir nisso. Mas foi justamente sua sinceridade que me motivou a querer conversar com você agora, e que também me fez acreditar que estaria em segurança, por assim dizer, aqui com você.

- Minha linda garota dos cabelos de fogo, por hora desejo que descanse, mesmo que não queira o fará, enquanto se desfaz de suas coisas de viagem, providenciarei algo para que coma, nem me impeça disso, é o mínimo que posso oferecer a você milady. – Curvou-se a ela como um súdito ao seu rei, em tom de brincadeira sorridentemente.

A warlock abriu a boca para responder, e depois fechou, fazendo sinal com a cabeça para que ele fosse providenciar. Afinal de contas, estava mesmo com fome. Comera, durante a viagem, um pedaço de queijo que estava em sua bolsa, e só. Não havia planejado viajar tanto, e talvez comer fosse necessário. E também daria tempo e calma suficiente para que encontrasse, em seu livro, o que queria mostrar ao ladino.

Nômade saiu lentamente do aposento, desceu a escada e dirigiu-se à estalajadeira.

- Boa noite amiga, preciso de uma refeição das melhores que se possa ter nesta taverna, é para a donzela que me acompanha, desculpe estar sendo um tanto rude, mas gostaria que isto fosse providenciado o mais rápido possível, gostaria também um elixir de flores, mas nada de álcool, com duas taças por favor.

A estalajadeira concentiu com a cabeça.

- Sim senhor, não se preocupe sua refeição sairá mais rápido que o estalar de ovos quebrando, e será muito especial. – disse a humana com sorriso malicioso. Nômade olhou para cima, colocando as mãos na cintura e achando graça na expressão daquela que o aboradara naquele instante. Preferiu  esperar a refeição para que ele mesmo a levasse.

Passados alguns minutos, a estalajaderia chegou com com a bandeja, com um banquete que parecia ser destinado a um rei; a mulher caprichara, até alguns ornamentos simulando enfeites o fez. Nômade olhou para a bandeja satisfeito.

- Está perfeito, parabéns, madame! Agora deixe comigo, quero levar pessoalmente. – terminou o rogue sorridente.

Subiu as escadas lentamente, ao chegar, bateu na porta antes de abrí-la, adentrando em seguida.

- Com licença minha querida “Escarlate”! Eis sua refeição. – Disse gentilmente o ladino olhando diretamente nos olhos de Alice.

- Escarlate? – respondeu Alice, com o livro aberto em cima da cama, ao seu lado. – Quem é escarlate?

Nômade sorriu para a jovem respondendo.

- Oras minha querida, quem tem cabelos ruivos, vermelhos como sangue, quem mais transmite tanta chama de vida quanto você? Você é minha Escarlate mesmo que não goste, hahaha.  – riu bastante, pois achou graça na expressão da garota e em si próprio em não dizer que ela tinha o temperamento quente, piscando para Alice.

- Eu prefiro ser chamada de Dark, se não se importa. – respondeu Alice, com um suspiro.

- Muito bem, que a senhorita sente-se agora… é hora de fazer uma boa refeição. – Disse Nômade pegando delicadamente a mão de Alice conduzindo-a até a mesinha de dois lugares ao lado da pequena janela, puxou a cadeira e esperou que ela se sentasse para então ele ocupar a outra cadeira.

Alice sentou-se na cadeira, olhando para o banquete. Não via necessidade de tanta comida, ou tanta preocupação em um banquete daquele tamanho, mas a fome que estava a impediu de comentar sobre isto. Colocou seu guardanapo no colo e aguardou que Nômade sentasse.

O ladino fez as pompas e serviu o prato de Alice, sempre olhando fixamente em seus olhos, com um sorriso maroto em seus lábios fechados, em seguida enchendo as duas taças com o elixir de flores. A warlock notou que não era vinho o que beberia, estranhando um pouco, mas preferiu não falar nada. A gentileza dele de trazer a refeição era, ainda que não desejada, agradável.

- Alice, espero que goste do elixir de flores, pedi o que eles tinham de melhor, e ofereço-lhe um brinde, um brinde a você. – Nômade fez um gesto com sua taça em direção à bela garota, bebendo em seguida.

Alice aproximou a taça dos lábios e bebericou de leve. O gosto era melhor do que esperava, ainda que diferente do que estava acostumada. Aguardou momentaneamente que o ladino começasse a comer e começou a comer em seguida o banquete oferecido.

- Sabe Alice, você é única, tão singela… admiro você, seu temperamento é formidável, uma garota que protege seu eu interior por si própria. Suas atitudes são simples e sofisticadas ao mesmo tempo, você é fascinante. Imundo seria eu como qualquer outro homem, se quisesse se aproveitar desta situação, traria-lhe uma bebida alcoólica? Traria-lhe alguma poção disfarçada de bebida, para aproveitar da ocasião, tornado nosso aposento num paraíso de prazer? Não minha querida, você está muito acima de qualquer desejo mundano, você é especial, há de lembrar de nossos momentos, mesmo sem compromisso, pois sei que não vê nada em mim, não tem paciência para estes tipos de sentimentos, seu corpo fala querida, mesmo gostando ou não, sim há de se lembrar, prefiro você sóbria me ouvindo a que ser enganada por mim. – espressou calmamente Nômade

A garota ruiva baixou a taça na mesa devagar, um tanto pensativa. Olhava para a taça, e para Nômade enquanto ele falava, tentando achar uma forma de verbalizar o que precisava explicar a ele. Não sabia o nível de conhecimento dele sobre magias ou sobre a arte das palavras de poder que podiam ser colocadas em pergaminhos. Nunca precisara explicar nada a ninguém, mas sentia que era necessário fazê-lo para que o verborrágico ladino entendesse o que estava acontecendo ali.

- Essa dedicação toda que você tem por mim, Nômade, talvez não seja merecida. – Alice começou a explicar. – Deixe-me falar, antes de me exaltar ainda mais, por favor.

Nômade sorriu concentindo com a cabeça, inclinou levemente o corpo para frente e apoiou os cotovelos na mesa cruzando os braços, já estava preparado para ouvi-la atentamente.

- Uma das coisas que sempre prezei é a experimentação. – A warlock continuou a falar. – Graças à uma de minhas mentoras, pude experimentar utilizar substâncias pouco aceitas na confecção de pergaminhos. Estava pesquisando uma forma de ampliar o poder dos glifos que fazemos normalmente. Ao invés de utilizar pigmento puro na criação das tintas utilizadas, misturamos outros componentes ao sumo das plantas de onde obtemos estes pigmentos.

A warlock então levantou-se da mesa e pegou seu livro, que estava com uma fita de cetim marcando uma página. Voltou para o lado de Nômade, que suspirou ao perceber a aproximação da garota, e mostrou a página aberta. Nas páginas que mostrou, havia um número enorme de formas geométricas e esquemas com runas e outros caracteres estranhos, e um grande desenho detalhado de uma figura feminina, com patas semelhantes às de bodes no lugar das pernas, chifres ornando sua testa e asas de couro, que visivelmente combinavam com a figura feminina voluptuosa no desenho.

- Hummm, isto é muito interessante, algumas destas figuras me são familiares, porém minha querida, confesso que não sei ler este tipo de escrita, mesmo com toda minha experiência em arqueologia, isto está além de meu entendimento, perdoe minha ignorância, se tiver paciência, gostaria que os lêsse para mim, assim quem sabe eu possa compreender. – Disse o ladino com um certo desconforto, como se estivesse envergonhado.

- Bem, esta figura que estou te mostrando é uma Sucubus. – começou a explicar a garota. – É um dos demônios que warlocks aprendem a invocar e controlar, e um dos mais perigosos para mentes despreparadas, pois uma das suas características é a de encantar os homens. Não apenas homens, mas não entrarei neste ponto. Uma Sucubus é perigosa justamente porque ela tem um poder sobrenatural de enfeitiçar as pessoas nos seus pontos fracos. O que está escrito ao redor envolte um conhecimento que só quem tem facilidade para lidar com energia arcana consegue decifrar corretamente, então não vou me ater a traduzir, se não se importar.

Nômade disfarçou ter olhado rapidamente para o busto da ruiva, o qual estava próximo ao seu rosto, engolindo seco, pensou por um pequeno instante, respondendo:

- Sobre a Sucubus creio ter entendido, já vi algumas em ação em alheios, mas me diga, onde quer chegar?

- Um de meus experimentos foi utilizar o sangue de uma destas criaturas para criar uma destas tintas especiais. – respondeu Alice, esperando que Nômade completasse o raciocínio.
- Por fim querida, qual o resultado deste seu experimento? – Perguntou com as sobrancelhas levantadas.

- Bem, – continuou a garota, vendo que o ladino não conseguiria seguir seu raciocínio. – eu utilizei esta tinta na confecção de alguns glifos, e mandei para algumas pessoas.

Nômade olhou diretamente nos olhos da garota levantando-se rapidamente, apoiou uma das mãos na parede perto da pequena janela, baixou a cabeça, ficou em silêncio e depois começou a rir. Alice se afastou um pouco, fechando o livro na página ainda marcada.

- Então você fez isso com os glifos que me enviara no passado? – após a pergunta continuou a rir.

- Bem… – respondeu Alice, segurando o livro abraçado no corpo. – Sim.

- Hahahahaa! Você não sabe o alívio que estou sentindo depois de me dizer tudo isso! – Exclamou Nômade voltando-se para Alice.

Alice levantou uma das sobrancelhas, tentando entender o raciocínio do ladino.

- Pois agora tenho certeza do que sinto por você, realmente eu te amo minha linda “Escarlate”. – terminou rindo novamente.

- Como assim? – indagou a garota. – O que sente por mim é fruto de uma magia, não de um sentimento verdadeiro. Achei que estaria claro isto.

Nômade pegou gentilmente a mão direita de Alice beijando-a docemente e respondeu:

- Minha querida, eu não a conhecia, estava de passagem em Vento Bravo quando peguei os glifos endereçados a mim junto com outras cartas, estava com tanta pressa e sem interesse em mulher alguma, que nem me preocupei em lê-los, apenas sabia que eram glifos enviados por você, confesso que estranhei e achei curioso, mas como disse estava com pressa, tinha uma longa viagem a percorrer. Estava frio, parei para acampar, não tinha muito a queimar por que a maioria dos gravetos estavam molhados pelo orvalho, então advinhe só? – rindo bastante.

- Você queimou meu glifo? – respondeu, puxando a mão de volta para o livro, não acreditando no que acabara de ouvir.

- Me perdoe Alice, eu não te conhecia, estava com tantas coisas para resolver. – Disse Nômade com tom levemente sério, com rosto levemente avermelhado. – Entendo sua pergunta, mas para minha sorte, foi bom não acha?

Mas, antes que ela respondesse continuou com um tom mais severo:
- Espere um pouco, recolha sua expressão ao questionar me por ter queimado seu glifo, você ia me fazer de cobaia ou o quê? Me responda você garota.

- Como você mesmo disse, – respondeu Alice. – eu também não o conhecia. Ou você acha que só você recebeu meus testes. Ou que só você…

A mente da garota trabalhava furiosamente em possibilidades e probabilidades. O que estava presenciando não fazia sentido algum para ela. Se ele não havia usado o glifo que foi enviado, como poderia explicar aquele comportamento?

- Calma Alice, não fique “novamente” exaltada. – Nômade falou calmo e sorridente. – Assim digo que estamos quites não é? Você não reclama por eu ter queimado seus glifos e eu não reclamo por você tentar me usar de cobaia?- sorrindo novamente, lançando-lhe uma piscada.

- Sente-se querida, e acalme-se, olhe, você é mais interessante que eu podia imaginar. – prosseguiu o ladino sorrindo. – Não há dúvidas que você não tem escrúpulos, hahaha, desculpe, não estou debochando, na verdade achando curioso, quando lhe disse meu maior segredo, o meu pecado, o que me atormentará por todo sempre, não expressou sequer aversão a mim, de tudo que já vi e tudo que já passei, mesmo que você me falasse agora, aqui, que era totalmente do mau e se diverte matando pessoas em suas experiências, hehehe, isto não mudaria o que sinto por você, muito menos me afastaria. – ele não dava tempo à garota, apenas conduzia sua conversa a fim de acalmá-la.

- Pense um pouco, mesmo que não lhe interesse, apenas pense, o que foi feito no passado, já foi feito, não pode ser mudado, o que sinto por você nem eu mesmo posso dizer como o foi, confesso que gostaria não ter descoberto meus reais sentimentos por você, e além do mais, me responda, com quantos homens você já chegou a passar o que está passando comigo, e ainda mais a ponto de confiar um aposento sem o medo de ser molestada, mesmo que confie em suas habilidades? Heim? Você acha que as coisas acontecem a toa querida? Vejo um propósito em tudo isso, como devo ter lhe dito outrora, nem sei bem se o disse, mas a questão é, o destino realmente deve existir, e de alguma forma tenta nos unir,se você analisar a situação na totalidade, verá que não somos tão diferentes assim, e quem sabe se não somos o que chamam por aí de almas gêmeas? Pense bem Escarlate, você não está aqui a toa, por que me salvou, será que era por mera curiosidade, ou qualquer outra coisa que tenha pensado? Ou será que realmente há algo que nos une? Pense querida, apenas pense, engula seu nervoso por instantes e apenas pense. – terminou sorrindo.

A warlock não estava vendo saída daquela situação. Ouviu parte do que Nômade falava, mas não conseguiu prestar atenção em tudo que ele dizia. Estava tentando procurar uma nova forma de dissuadí-lo daquela paixão insensata que sentia, e o engodo do glifo não funcionara. Ainda que ele tivesse suas virtudes, como o cavalheirismo e a preocupação, isso sempre fora uma arma usada pelos outros para conseguir o que queria. Talvez não tivesse sido, de fato, uma boa ideia confiar nele a ponto de alugar apenas um quarto.

- Preciso pensar, realmente. – falou finalmente a warlock. – Não o entendo, e não acho que vou conseguir entendê-lo algum dia…

Alice levantou-se, ainda com o livro em mãos, que ficou em seu colo durante a preleção de Nômade. Olhou para a mesa novamente, para o livro em suas mãos, e depois para o ladino. Era possível ver preocupação e medo em seus olhos. Respirando fundo, para tentar manter o mínimo de compostura, olhou novamente para o ladino.

- Preciso respirar um pouco. – falou, dirigindo-se para a porta.

Nômade acompanhou a garota com os olhos, mas antes que a mesma chegasse à porta abordou-a:

- Espere Escarlate! – Aproximando-se rapidamente da jovem segurando em sua mão.

- Olhe querida, não pense nos porquês, esqueça isso, tenho uma proposta para você, que pode lhe agradar. – terminou o ladino.

- Fale. – respondeu Alice, puxando a mão de volta. – Mas não me segure!

- Pois bem, já te disse em Aerie Peak, você não me deve sentimento algum, talvez nunca sinta nada por mim, mas isto não vem ao caso agora, o que tenho a lhe propor é o seguinte Escarlate: esqueça o quanto te amo, não pense em se livrar de mim por isto, já teve prova de que não sou como os outros bem aqui neste aposento, ficando sozinha comigo, ou não? Assim lhe ofereço uma amizade. Além da amizade, me ofereço a acompanhá-la em algumas aventuras, me ofereço a ser seu ombro amigo, você sabe meu segredo, me confiou algumas coisas, portanto já que somos mais parecidos do que pensa, ou tenta não ver, ou finge que não somos. Que tal se andarmos juntos em algumas tarefas ou em algo que você precise. O que me diz, ou me prefere como sua sombra? – terminou brincando para quebrar o gelo.

- Eu tenho uma proposta melhor. – retrucou a garota. – Você fica aqui, falando sozinho, enquanto eu saio para tomar um ar, que tal?

Sem esperar a resposta do ladino, abriu a porta e a fechou com força, descendo para o salão, sentindo cada batida de seu célere coração retumbar em sua cabeça. Descendo as escadas, parou em frente ao balcão, apoiando nele como se estivesse zonza.

Nômade, embora descontente, achou graça na atitude da garota, pois sua intemperança era previsível, assim, ali ficou, sentou-se na mesinha e pôs se a comer o que restara da refeição. Enquanto isso, Alice saia do estabelecimento, olhando a lua que estava ali se oferecendo para quem quisesse vê-la, respirou fundo e pegou, em seu bolso uma pedra branca com runas azuladas, que brilharam levemente ao serem tocadas. A garota, então, pressionou-a levemente, e sentiu que era teleportada para longe dali, não se importando com o pouco equipamento que deixara para trás.

 

Escrito por Lobo e Carlos A.

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