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Há algo mais naquela garota: Cap. 28 (Final)

Algumas horas depois o ladino se incomodara com a demora da garota e resolveu sair atrás dela. Assim que desceu as escadas, olhou por toda taverna sem sinal de Alice. “Será que ainda está tomando ar?”. Pensou dirigindo-se para fora da taverna. Já não era tão cedo, passava da meia noite, olhou para a fonte do centro da vila, nada da garota, há não ser alguns guardas e a Capitã Althea que rapidamente o reconheceu dirigindo-se a ele abordando-o sorridentemente:

- Olá meu caro Nômade, nem tinha visto você chegar, fico feliz em vê-lo novamente, por onde andou todo este tempo?

- Er.. o…olá capitã. – Respondendo sem dar muita atenção enquanto continuava a olhar aos arredores.

- Estás procurando por alguém? – perguntou a capitã notando a inquietação do ladino.

- Sim, sim, você não viu uma jovem de cabelos ruivos? – respondeu olhando desta vez para a moça.

Althea fez um breve silêncio, fechou o rosto, demonstrando descontentamento respondendo em seguida.

- Uma jovem, muito bonita de cabelos ruivos, MUITO JOVEM! Não é? – respondendo prontamente tentando conter o que parecia um tipo de ódio.

- Sssim, você a viu Althea? – disse o ladino sem jeito.

- Ahhh! Então agora se lembrou de meu nome não é? – O olhar da moça parecia soltar labaredas de fogo. – Sim eu a vi, e para sua informação, ela usou runas e se teleportou daqui, mas saber para onde, é querer saber de mais NÃO É?

- Maldita filha duma sucubus! Hahahahah! Essa é minha garota! – disse Nômade numa mistura de fúria e graça.

-E vejo que o senhor está muito bem não é NÔMADE? Agora resolveu pegar garotinhas para se DIVERTIRRR? – Althea explodiu em colera, fechou o pulso e deu um soco finalizado com um empurrão no ombro direito de Nômade empurrando-o para trás um ou dois passos, em seguida virou as costas e saiu a passos pesados sumindo nas sombras de uma grande árvore em meio a arbustos no jardim ao lado da Taverna.

Nômade não se ateve à atitude de Althea, estava concentrado em sua Escarlate, pois nesta hora levara uma rasteira da garota.

“Alice, minha linda ruiva, minha Escarlate, você é fogo! hahahahaha! Não creio que a conquiste tão cedo ou talvez nunca, hahaha, mas uma coisa é certa, estarei sempre ao seu lado, serei sua sombra querida, te protegerei, sempre, isto, sempre” pensou o ladino se descontraindo com a situação a favor da garota no momento.

Nômade estava ótimo, recobrara a sanidade e a lógica, somados ao que para ele era novidade, a novidade do amor em sua vida, agora tudo seria diferente, agora com um novo sentido para viver. Partiu na mesma noite rumo a Ventobravo.

Por toda noite cavalgou, e durante o tempo despendido, pensou em muitas coisas além de passar a maior parte do tempo com sua “Escarlate” na cabeça. Depois de tanto concatenar, chegou a conclusão de que deveria aprender algo diferente, algo que ao mesmo tempo pudesse lhe garantir subsídios para mantê-lo financeiramente e o principal, algo que pudesse além impressionar ajudar muito a sua amada. Resolvera aprender a arte da joalheria e por consequência minerar, o que não seria difícil pois passou muito tempo pesquisando escavações em sítios arqueológicos.

Antes de prosseguir em suas novas profissões, resolvera que o momento era propício em procurar alguém para ajudá-lo em sua sequela, alguém que pudesse curar seus tendões devolvendo-lhe a agilidade, ou teria que deixar suas habilidades, deixaria de ser um batedor, um ladino e se tornaria um homem comum, inútil nos tempos atuais.

Em Ventobravo encontrou vários conhecidos, os quais abordaram-no sobre seu sumiço, sua resposta foi igual para todos, alegava estar em missões secretas, alguns que o observavam atentamente em suas caminhadas pela cidade percebiam que ele mancanva sutilmente, o que gerava vários cochichos. Quando Nômade se aproximou do banco para ver se lhe restara algo de valor, armas ou até mesmo algumas armaduras de couro, se deparou com Lysanthia a líder de sua guilda, que prontamente o reconheceu.

Cumprimentaram-se, a elfa já estava a par do resgate e sugeriu irem para um lugar mais reservado,  onde mais tarde puderam conversar bastate. Nômade contou para Lysanthia todos detalhes que pudera se lembrar, elogiando várias vezes Isaxi sua irmã, salientando que ela comandara muito bem toda empreitada.

Lysanthia, mostrou-se orgulhosa da irmã ao ouvir os elogios do ladino. Durante a conversa se lembrou do comentário de sua irmã de que existia algo no ar entre o ladino e a jovem warlock, mas preferiu não fazer comentários, por hora resolveu ajudar Nômade da melhor maneira que pudesse fazer.

Analisando os pés de Nômade, notou que haviam se recuperado bem, dada a gravidade do ferimento. Talvez o tempo curasse, mas com tudo o que acontecia ao redor, e com a necessidade de movimentação que o ladino necessitava, a druida achou que seria melhor tentar acelerar o processo. Como a ferida já fechara, não adiantaria invocar os poderes de cura que a Natureza oferecia. Iria, agora que vira a situação dele, pesquisar uma forma de curar definitivamente os calcanhares de Nômade, prometendo que enviaria uma carta a ele assim que tivesse uma resposta definitiva, mas que ele poderia fazer banhos de escalda-pés com água morna e Raiz-da-Vida, para ajudar a cicatrizar internamente a ferida.

Depois de receber os devidos tratamentos de Lysanthia e suas recomendações, Nômade adentrou em seus estudos e explorações para a evolução na arte da joalheria mágica, durante um de seus devaneios pensou:

“Ahhh! Alice, m…minha doce e linda dama de fogo, minha Escarlate, tão temperamental quanto um vulcão enfurecido, já é hora de deixá-la perdida em seus pensamentos, que o tempo jogue a meu favor, caso contrário, paciência para mim, mas o que posso esperar daquela bela garota a não ser repúdio, hahahaha. Minha queria filha duma sucubus, ahhahaahha, estarei sempre à espreita para protegê-la”.

Alice olhou ao redor depois do teleporte. Viu alguns anões bebendo e pessoas comprando coisas, mas felizmente nenhum rosto conhecido. Era muita sorte, mesmo sabendo que à noite era mais difícil encontrar pessoas conhecidas em Altaforja, não tinha pensado totalmente quando decidiu sair da presença de Nômade.

Saindo da estalagem e andando até a caverna ao fundo da cidade, andando pelos cantos para ser o menos notada possível, tentou recapitular o que tinha acontecido, e o que tivera levado a garota a sair da presença do ladino daquele jeito.

Tinha certeza que não tinha medo dele. Ou, pelo menos, achou que tinha. Ele tinha sido gentil até então e, ainda que desesperadamente louco por ela, não tinha feito nada de mais. O beijo em Aerie Peak era só para ela não poder conjurar suas magias, isso era certo. Ou não era?

Afinal, poderia ou não confiar em Nômade? Ele era gentil e sincero, mas isso não seria estratégia para confundí-la? Para que ela baixasse suas defesas e ele se aproveitar dela, como… bem, como já acontecera antes? Não iria permitir que alguém chegasse perto novamente. Se ele queria jogar com ela, queria jogar com os sentimentos dela, ela também jogaria.

Mas como enganá-lo? Como jogar daquele jeito? Falar que o glifo tinha sangue de Sucubus tinha sido uma boa ideia, a princípio. Foi uma aposta arriscada, mas ele não tinha jeito de ser alguém que entendia de magia ou mesmo da criação de grifos. Ele não teria como saber que aquela ideia era falsa, que os pigmentos ficam arruinados se misturados com qualquer coisa. E, no final, ele não tinha sequer usado. A ideia acabou se voltando contra ela ainda pior.

Iria voltar para casa ao raiar do dia. Era o melhor a fazer. E, talvez, voltar a estudar o que estudava quando aquela velha a chamara para salvar aquele ladino maldito.

Escrito por Lobo e Carlos A.

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