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Warcraft: O Dever das Revoadas – Cap. 5

Texto escrito por Matt Burns, fala mais detalhes sobre a jornada de Thrall e os Aspectos Dragônicos na busca pela Alma Dragônica, a única arma capaz de derrotar o Destruidor.

Se você acompanha a história do  Universo Expandido de Warcraft, não deixe de conferir.

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O Dever das Revoadas

Por Matt Burns

Alexstrasza encontrou o Atemporal à espera.

Nozdormu aguardava, imóvel, no alto da montanha. Longe dos assentamentos de xamãs e druidas, a Mãe da Vida assumira a forma de dragão e sentiu-se revigorada ao estender as asas após tanto tempo confinada ao corpo élfico. Aterrissou ao lado do Aspecto Bronze e contou-lhe o plano de Ysera e Kalec para a Alma Dragônica e o papel que caberia ao senhor do tempo na ação. A Mãe da Vida imaginara que Nozdormu rejeitaria a proposta imediatamente, e ela não o questionaria. No entanto, encontrou o amigo com o espírito desarmado. Nozdormu comentou:

– A Alma Dragônica… Por vezesss eu considerei voltar no tempo e consertar aquele dia. Salvar a vida de Malygos… Poupar todos nós daquele terrível destino.

– O Atemporal suspirou profundamente, sem desviar o olhar do horizonte. – Mas, se assim o fizessssse, eu não seria muito diferente da Revoada Infinita e… do meu futuro eu.

– A diferença seria muito maior do que você poderia imaginar – retrucou Alexstrasza. – Eonar me encarregou da proteção da vida. Quando a possibilidade da Alma Dragônica foi levantada, eu me perguntei como eu poderia me manter fiel ao meu dever e, ao mesmo tempo, recuperar a arma mais destrutiva já forjada.

– No entanto, é isssso que você planeja – constatou Nozdormu.

– Sim. Pois, para proteger a vida, há momentos em que é preciso destruir aquilo que quer encerrá-la…

A Alexstrasza meditara longamente sobre a Alma Dragônica e o sofrimento inimaginável provocado pelo artefato, não apenas a ela e à Revoada Vermelha, mas também a inúmeros seres ao longo da história. Por fim, a Mãe da Vida chegou a uma penosa conclusão: nenhum custo é alto demais para salvar o mundo.

– Não posso forçá-lo a fazer o que você julga errado – argumentou a dragonesa. – Mas pergunte-se o seguinte: Aman’Thul lhe concedeu o domínio sobre o tempo para que você simplesmente observasse o mundo acabar?

– Esse futuro habitado pela Revoada Infinita… se eu fosse até lá… – disse Nozdormu, baixando a voz. Medo e preocupação emanavam do Atemporal. A Mãe da Terra intuiu que algo sobre o apocalipse, além das linhas do tempo, inquietava o aspecto bronze. Mas ela já pedira demais de Nozdormu. Se ele não quisesse partilhar as preocupações, respeitaria a escolha dele.

– A cada um de vocês foi concedida a dádiva… – sussurrou suavemente Alexstrasza, aproximando-se de Nozdormu.

– A todosss vocês foi concedido o dever – completou, sem hesitar, o Atemporal. Aquelas palavras ancestrais foram a última ordem dos titãs aos Aspectos, um aviso de que, embora cada um deles fosse único, seus poderes e conhecimento não poderiam se separar. Eles eram um.

– O tempo é o seu dever, enquanto a vida é o meu. Mas qual é o nosso dever?

– Preservar essste mundo… a qualquer custo. Evitar a Hora do Crepúsculo – sibilou Nozdormu.

O Atemporal permaneceu em silêncio após a resposta. A Mãe da Vida acompanhou o olhar do amigo ao horizonte, com o coração atormentado, e indagou: – Algum dos seus agentes retornou?

– Não. Nenhum retornará. Eu essstive perdido no tempo, até que Thrall me ajudou. Agora, essstou perdido fora do tempo. – Para surpresa de Alexstrasza, o Aspecto Bronze riu, desconfortável.

O Atemporal finalmente desviou os olhos do horizonte e dirigiu-se a Alexstrasza: – Por tempo demaisss fui rígido nos meus modos. O que você diz é verdade. O tempo de esperar é passado…

 

****
 

Os quatro aspectos dragônicos e Thrall haviam se reunido no refúgio dos druidas, aos pés de Nordrassil. Uma imagem da Alma Dragônica flutuava entre deles. Alexstrasza sentiu um arrepio por estar ali. De certa forma, aquilo a lembrava do ritual conduzido há milênios para conceder poder ao artefato.

Embora fosse uma cópia arcana evocada por Kalecgos, aquela Alma Dragônica continha poder. Banhados pela suave luz violeta emitida pela imagem, os aspectos viram as próprias sombras oscilarem entre as formas humanas daquele momento e os verdadeiros corpos dragônicos.

– Para obtermos a Alma Dragônica, temosss primeiro que avançar ao futuro previsto por mim, o fim dos tempos – afirmou Nozdormu. – Se destruirmosss a Revoada Infinita e o líder dela, o senhor do apocalipse, as linhas do tempo serão reabertas, e poderemosss voltar ao passado e recuperar a Alma Dragônica.

– Como poderia a história seguir em frente, se o artefato for subitamente retirado das linhas do tempo? – perguntou Thrall. O orc mantivera-se em silêncio perante os Aspectos até então. Ele já os ajudara muito. A Mãe da Terra queria deixá-lo em paz, mas precisava do mortal mais uma vez, pelo bem de Azeroth.

– O tempo não é linear como algunsss pensam. Minha revoada interromperá o fluxo da história para neutralizar o impacto que causamos no passado. Mas só conseguiremos preservar a integridade das linhasss do tempo por esse instante. Quando nosso trabalho estiver terminado, devolveremos a Alma Dragônico ao devido lugar.

– Quanto ao devido lugar da Alma Dragônica – completou Kalecgos –, podemos obtê-la em muitos pontos do tempo. Suas propriedades foram alteradas ao longo da história. Para termos sucesso, é preciso usar a arma em sua forma mais pura. Quando Nozdormu abrir as linhas do tempo, pegaremos o artefato da época em que foi criado, a Guerra dos Antigos.

– E isso nos leva a quem vai empunhá-la – concluiu Alexstrasza, indicando Thrall.

– Meu amigo – disse Kalecgos, apoiando a mão no ombro do orc. – Pelo que descobri, a Alma Dragônica foi criada de forma que, se for empunhada por qualquer dragão, libertará energias que dilaceram o portador. Ela nos injeta tal dor que leva à loucura. Mas os seres efêmeros, dada a própria natureza deles, podem usá-la sem sofrer qualquer mal.

– O que pedimos de você envolve grande risco, Thrall. – A voz melodiosa de Ysera flutuou pela sala. – Quando a Alma Dragônica tiver sido trazida para o presente, você deverá levá-la ao Templo do Repouso das Serpes, um local de grande poder, conectado à Câmara dos Aspectos, onde o artefato foi consagrado da primeira vez. A Alma Dragônica já conterá poder, mas nós a infundiremos em nossas essências outra vez, deixando-a mais forte do que nunca… e potencialmente mais instável. Se Asa da Morte souber de nossas intenções, ele e os lacaios por certo avançarão sobre o templo para deter você a qualquer custo.

– Não pretendo questionar a sua sabedoria – disse Thrall humildemente – mas outras raças de Azeroth também sofreram a fúria de Asa da Morte. Poderíamos reunir um exército de mortais como nunca visto para aniquilar o Aspecto Negro. Tal estratégia não seria mais simples?

– Mesmo que todos os mortais enfrentassem o Asa da Morte, isso pouco importaria – respondeu Alexstrasza. – Ele foi corrompido pela energia sombria dos Deuses Antigos. Nenhum ataque físico, por mais avassalador, poderia destruí-lo. Ele precisa ser… desfeito. Temos de dissolver a essência dele, e apenas a Alma Dragônica pode fazê-lo.

– E apenas se você estiver ao nosso lado – acrescentou Kalec. – O artefato foi imbuído das essências dos quatro aspectos, mas não de Asa da Morte. Para usarmos a arma contra ele, temos de infundi-la no poder do Guardião da Terra. Você, Thrall, possui uma porção, ainda que pequena, do mesmo poder: a essência de Azeroth.

– Não podemos empunhar a Alma Dragônica pessoalmente – dirigiu-se Alexstrasza a Thrall. – Cabe a você… se assim o escolher. Isso é muito mais do que eu jamais esperaria lhe pedir, especialmente porque você já arriscou a vida para nos ajudar.

– É uma honra que vocês busquem auxílio em mim – afirmou Thrall – mas tenho um pedido. As raças efêmeras derrotaram Ragnaros, e o Lich Rei antes dele, e outras inúmeras ameaças. Há tempos temos sido fundamentais para garantir a segurança de Azeroth. Estamos empenhados nisso tanto quanto vocês. Com todo o respeito, tenho certeza que tão nobre plano só poderá triunfar com a ajuda dos mortais.

Não restava dúvida de que Thrall tinha razão. Alexstrasza pretendia evitar o envolvimento de mais mortais no perigoso desafio, mas, por fim, concordou: – Se tal for o desejo deles, serão bem-vindos.

– Há sempre aqueles que assim o desejam – observou Thrall, sorrindo. – Vou enviar o chamado.

Após a partida de Thrall, os aspectos permaneceram quietos.

– Uma questão me atormenta. – Kalec quebrou o silêncio. – Se evitar a Hora do Crepúsculo é o nosso objetivo, se os titãs nos criaram para isso, então o que será de nós quando tudo terminar?

Uma brisa gélida cruzou o Refúgio Cenariano, como que para pontuar as palavras de Kalec. Os aspectos desviaram o olhar, evitando o assunto. Todos eles já haviamponderado sobre aquele mistério perturbador.

– Sim… Se cumprirmos nosso dever, para que serviremos em seguida? – remoeu Nozdormu. – Com as linhas do tempo maculadas, nem mesmo eu consigo ver o que o futuro nos reserva…

“–Nossos atos resultarão em perda… ou realização? – Ysera perguntou-se em voz alta.

– Os titãs claramente têm um plano para nós – argumentou Kalec. – Magia, tempo, vida, natureza… isso existirá sempre. É bastante lógico que nosso destino seja proteger a criação por toda a eternidade.

Alexstrasza apenas observava a discussão de Ysera, Kalec e Nozdormu, que externavam suas esperanças e preocupações. O caminho adiante deles era claro, mas para além da Hora do Crepúsculo o destino estava encoberto em uma névoa de incertezas. A Mãe da Terra preferiu manter os próprios medos trancados dentro de si. Ela era a Rainha dos Dragões, e, se houve um tempo em que seus companheiros precisavam de sua orientação, esse tempo era agora.

– Nenhum de nós sabe ao certo –disse Alexstrasza , atraindo a atenção dos demais. – E, se soubéssemos, isso importaria? Foi por isto que recebemos os deveres dos titãs.As dádivas que eles nos concederam destinam-se a este momento.

A Mãe da Terra pegou as mãos dos companheiros ao lado, Ysera e Kalecgos, e estes fizeram o mesmo com Nozdormu. As magias dos aspectos se mesclaram e fluíram por entre cada dragão. A vibração apaziguou os sentimentos de todos e os preencheu de determinação inabalável.

– Desbravaremos o desconhecido como um – conclui Alexstrasza. – Como sempre foi nosso destino.

Fonte: Battle.net

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